No Dia Mundial do Meio Ambiente, a cooperativa Ecolimpo mostra que reciclar é cuidar do futuro
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No Dia Mundial do Meio Ambiente, a cooperativa Ecolimpo mostra que reciclar é cuidar do futuro

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Parte das 38 cooperativas de reciclagem do DF registradas no Sistema OCB/DF, a Ecolimpo transforma resíduos em oportunidades.  

Quando pensa no futuro, Elineuda Martins de Lima não fala primeiro de números, metas ou estatísticas, mas fala dos netos. Cooperada da Cooperativa Ecolimpo, em São Sebastião, do Distrito Federal, ela olha para o próprio trabalho como parte de uma responsabilidade maior: ajudar a preservar um mundo que talvez as próximas gerações não conheçam da mesma forma.

“Eu penso nos meus netinhos. Nem sei se eles vão conhecer pelo menos metade das frutas e dos animais que eu conheço, por causa de tanto lixo e tanto material jogado na natureza”, relata. Emocionada com o tema ela reforça que cuidar do meio ambiente começa com um gesto simples, mas decisivo: “Não precisa fazer muito. É só colocar o lixo no lugar certo”. 

Neste 5 de junho, Dia Mundial do Meio Ambiente, a fala de Elineuda traduz o sentido de um trabalho que, todos os dias, transforma resíduos em oportunidade, preservação ambiental e dignidade para dezenas de famílias. 

O trabalho da Ecolimpo contribui para retirar das ruas de São Sebastião e de outras cidades próximas, cerca de 40 toneladas de materiais recicláveis todos os meses, que deixam de ser descartados de forma inadequada ou encaminhados ao aterro, retornando à cadeia produtiva como matéria-prima para novos ciclos de produção. A cooperativa integra o Sistema OCB/DF, que registra 38 cooperativas de reciclagem no Distrito Federal.

“As mudanças climáticas já afetam a todos nós, na cidade e no campo. Elas interferem na produção agrícola, na segurança alimentar, na qualidade de vida e no cotidiano da população. Por isso, neste Dia Mundial do Meio Ambiente, precisamos refletir sobre o papel de cada um nessa transformação. No Distrito Federal, temos cooperativas que atuam diariamente na coleta e na destinação correta de materiais recicláveis, contribuindo para reduzir impactos ambientais e fortalecer uma economia mais sustentável. Essas cooperativas exercem um papel essencial na preservação do meio ambiente e merecem reconhecimento, valorização e apoio da sociedade”, afirma Remy Gorga Neto, presidente do Sistema OCB/DF. 

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A dimensão desse impacto é ambiental, social e econômica. Segundo o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), a poluição plástica é um problema global e, a cada ano, entre 19 milhões e 23 milhões de toneladas de resíduos plásticos chegam a ecossistemas aquáticos, poluindo lagos, rios e mares. O PNUMA também alerta que, mantido o cenário atual, os resíduos plásticos podem quase triplicar até 2060. 

Na prática, cada tonelada de reciclável separada, triada e comercializada representa menos pressão sobre aterros sanitários, menor extração de recursos naturais e redução da necessidade de produção de novos materiais a partir de matéria-prima virgem. Quando plásticos, papéis, metais e vidros voltam para a indústria, a cidade reduz desperdícios e amplia sua contribuição para uma economia mais circular.

Para Patrícia Alves, gestora da Cooperativa Ecolimpo, a cooperativa é mais do que um espaço de trabalho. É um ponto de organização coletiva, geração de renda e cuidado com a cidade. Desde 2018 na cooperativa, ela coordena a entrada e saída de caminhões, o direcionamento dos cooperados, a venda dos materiais recicláveis e a rotina operacional do galpão.

“A Ecolimpo é um local onde se reúnem pessoas focadas em melhorar a renda, melhorar o planeta e melhorar a cidade. Sem as cooperativas, talvez a nossa cidade não estivesse tão organizada”, afirma. Segundo Patrícia, o impacto ambiental da atuação cooperativista é grande porque os resíduos que seriam descartados no aterro são reaproveitados e recolocados no mercado. 

A separação correta dos resíduos também é parte essencial desse processo. Para que o trabalho das cooperativas seja mais eficiente, a orientação é separar o material seco do molhado e destinar corretamente papel, plástico, metal e vidro. Os rejeitos orgânicos devem seguir para o lixo comum, evitando a contaminação dos recicláveis e aumentando o aproveitamento dos materiais. 

Mas a força da Ecolimpo não está apenas na reciclagem. Está também na transformação de trajetórias.

Rian Vitor, gestor do galpão e integrante do conselho fiscal da cooperativa, é exemplo disso. Há cerca de cinco anos na Ecolimpo, ele faz parte de uma família que encontrou no cooperativismo uma forma de crescer, estudar e se fortalecer. Rian integrou a primeira turma do curso tecnólogo em gestão de cooperativas, oferecido pelo Sescoop/DF, e vê na formação uma oportunidade concreta de desenvolvimento.

A cooperativa, além da oportunidade econômica para a família dele, tem um papel ambiental muito importante, sendo uma engrenagem essencial para que o poder público avance em metas ambientais, reduza resíduos enviados ao aterro e fortaleça o trabalho dos catadores. Rian destaca que, “quando a coleta seletiva é feita por cooperativas, o aproveitamento dos materiais tende a ser maior, justamente porque há o envolvimento direto dos catadores na separação e valorização dos resíduos. Esse é o ponto em que meio ambiente, cooperativismo e desenvolvimento social se encontram”.

A Ecolimpo mostra que reciclar não é apenas retirar resíduos das ruas. É preservar recursos naturais, reduzir impactos ambientais, gerar renda, formar pessoas e fortalecer uma rede de trabalhadores que presta um serviço essencial à cidade.

No Dia Mundial do Meio Ambiente, a mensagem que vem de São Sebastião é simples, direta e urgente: o cuidado com o planeta começa dentro de casa, na separação correta do lixo, mas só se completa quando a sociedade reconhece o valor de quem transforma resíduos em futuro.

Como resume Elineuda, “o que a gente faz aqui, a gente não faz só por nós. A gente faz para o mundo inteiro”

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